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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Parábolas reeditadas - O Semeador

Tento nesse espaço apresentar uma visão um pouco distorcida das parábolas contidas na bíblia. Distorções causadas pelo nosso "evangelho" moderno, que mesmo sem ter mudado as palavras do texto, tem mudado seu sentido prático. Convido ao leitor a avaliar comigo se, o que apresento a seguir, não é o que temos visto na realidade.


A Parábola do semeador
(reinventada pela "igreja")

3. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que um semeador, e nada mais, saiu a semear.
4. E, quando semeava, que era só o que sabia fazer, uma parte da semente caiu ao pé do caminho por causa do seu descuido, e vieram as aves, e comeram-na;
5. E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda, nem quem se importasse com isso;
6. Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
7. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.
8. Quando por fim, encontrou terra boa, semeou com alegria e júbilo, se esquecendo dos outros terrenos que deixara cair a semente sem se preocupar. Ora, essa terra era boa e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.
9. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Quem tem língua para falar, fale mais do que ouça.
[...]
18. Escutai vós, pois, a parábola do semeador.
19. Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, porque ninguém teve a paciência de lhe explicar, vem o maligno até mesmo na forma de "cristão", e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho.
20. O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria;
Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende; Porque o semeador, que não era lavrador, não se importou em lhe dizer o que a Palavra realmente significa, antes, não se importando com ele (porque era um terreno ruim), deu de ombros e seguiu seu caminho. 
21. E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas, promessas e "profecias" sufocam a palavra, e fica infrutífera;
22. Mas, o que foi semeado em boa terra é o que teve a sorte de contar com a simpatia do semeador e, tendo quem o amasse, ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta, que serão desperdiçados novamente por mais um semeador preguiçoso. 

Mateus 13:3-23

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Eleitismo



"Todos deviam perecer, exceto raros eleitos. Germes de espécie até então desconhecida introduziam-se no organismo humano. Mas tais corpúsculos eram espíritos dotados de inteligência e vontade. Os indivíduos afetados tornavam-se imediatamente desequilibrados e loucos. Contudo, coisa estranha, nunca os homens se haviam tido tamanha confiança na infalibilidade de seus juízos, de suas teorias científicas, de seus princípios morais. Aldeias, cidades, povos inteiros eram atingidos pelo mal e perdiam a razão. Estavam todos cheios de angústia e no estado de não se compreenderem uns aos outros. Cada qual julgava-se o único na posse da verdade, desolando-se ao considerar os semelhantes. Cada qual batia no peito, torcia as mãos e chorava... Não podiam entender-se sobre as sanções a adotar sobre o bem e o mal, e não sabiam a quem condenar ou absolver. Matavam-se uns aos outros numa espécie de absurdo furor. Reuniam-se e formavam imensos exércitos para marcharem uns contra os outros, porém uma vez começada a campanha, as tropas dividiam-se, rompiam-se as fileiras e os homens trucidavam-se e devoravam-se mutuamente. Nas cidades, tocavam a rebate de manhã â noite. Todos eram chamados às armas, mas por quem? Por quê? Ninguém teria podido dizê-lo e o pânico se propagava. Abandonaram-se os propósitos mais simples, pois cada qual propunha ideais e reformas sobre as quais ninguém se entendia. A agricultura estava abandonada. Formaram-se grupos aqui e ali. Os homens juravam não se separar, e um minuto após esqueciam a resolução e começavam a acusar-se mutuamente, abatendo-se e matando-se. Por toda a parte irrompiam a fome, os incêndios. Parecia tudo, homens e coisas. E o flagelo devastava cada vez mais. Só podiam ser salvos no mundo inteiro alguns homens eleitos, puros, destinados a começar nova raça humana, a renovar e a purificar a terra. Entretanto, ninguém os tinha visto nem lhes havia ouvido as palavras ou o som da voz."

Crime e Castigo,
Fiódor Dostoiévski