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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O jornaleiro e o Imperador - Uma relação Homem-Deus.

Em uma certa aldeia, existia um jornaleiro. Conhecido por sua humildade e fraternidade para com o próximo, o jornaleiro vivia sua vida tranquila no campo.
Também havia naquele tempo, um poderoso Imperador. O mais poderoso que jamais existira sobre a face da Terra. Ora, o jornaleiro nunca podia imaginar o que estava para acontecer em sua pacata vida, que ele considerava, humilde.
O dia chegou. Mandaram chamar o jornaleiro em sua aldeia: o Imperador queria vê-lo. "Mas o que? O Grande Imperador sequer sabe da MINHA existência? Eu? O Humilde jornaleiro sem nome???"
Eis o que o Imperador queria: Desposar sua filha. O Jornaleiro é então convidado a ser nada mais que o genro do Imperador!
"Mas que absurdo! Eu? Genro do Imperador? Só pode ser brincadeira! Ele quer me ridicularizar perante os homens! Eu nunca aceitarei isso! O que vão pensar? Lá vai o Jornaleiro que foi enganado pelo Imperador! Não, não posso aceitar! Isso é grandioso demais para mim!"
E essas indagações tiraram o seu sono durante muito tempo. Seria verdade? Mentira? E se fosse, poderia eu me elevar a tal nível? O imperador poderia se rebaixar tanto?
Seu coração se escandalizara. Sua admiração pelo Imperador, se transformou em uma espécie de inveja. Sua humildade, que de tanto se vangloriava, na verdade, era sua vaidade. Nunca teve humildade para aceitar tão grandioso pedido de tão grandioso imperador.
Voltando-se para dentro de si, sem nenhuma coisa exterior que lhe desse a certeza de que de fato, o pedido era real, apenas por fé, teria o jornaleiro coragem o suficiente para ousar acreditar no pedido? Coragem sem humildade de nada vale, não faz crer). E essa coragem, quantos jornaleiros a teriam? Mas aquele que não a tem, escandaliza-se. Essa coisa grandiosa teria o mesmo efeito que uma grande zombaria pessoal. Vira-se para si próprio e fala: "São coisas demasiado altas para mim e que não me podem entrar na cabeça; sem rodeios, isso é loucura!"

Eis o Evangelho. E a lição que nos ensina, é que esse homem-jornaleiro está agora, perante Deus. E Este o convida a aceitar sua proposta. Terá esse homem, essa coragem revestida de humildade? Na verdade, se há no mundo coisa para enlouquecer, não será esta? Quem quer não o ousa crer, por falta de humilde coragem, escandaliza-se. Mas se se escandaliza, é porque a coisa é demasiado elevada para ele, porque não lhe pode entrar na cabeça, por isso, tem necessidade de pô-la de parte, considerá-la nada, uma loucura, uma ingenuidade, a ponto de se sentir sufocado. É constrangido pelo amor.
O que é o escândalo? A admiração infeliz, perante pois da inveja, mas uma inveja que se revolta contra si próprio, mais ainda: que se encarniça mais contra ela própria do que contra outrem. Em sua estreiteza de coração, o homem é incapaz de se conceder o extraordinário que Deus lhe destinava: por isso se escandaliza.
Esse escândalo varia segundo a paixão que o homem põe na admiração. Sem muita imaginação, o homem não tem aptidão para admirar, de modo que se limita a dizer: "Não entendo, deixo pra lá". Esses são os céticos. Mas se o homem é imaginativo, consegue admirar, e por isso, sente-se constrangido a ponto de o negar, extirpá-lo e condená-lo à lama.

A relação de homem para homem se dá como admiração-inveja, ao passo que, de homem para Deus, temos a adoração-escândalo. Advogar a loucura do Evangelho é a maior estupidez que um homem pode fazer: pois esse tipo de ralação judicial, faz desacreditar o próprio evangelho. Sendo assim, os grandes apologistas e defensores da fé, não são nada mais, do que Judas, traindo a obra de Cristo com o beijo da estupidez. A Fé não precisa de defesa, ela é o ataque: um verdadeiro crente é um vencedor, sempre. Amenizar o escândalo através de explanações teológicas é reduzir o evangelho. Assim, criamos o cristianismo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A ideia de Deus

Penso. Fadigo-me de tanto pensar. Talvez seja reflexo da minha personalidade que, segundo Carl Gustav Jung, pode ser nominada como INFJ. Confesso, é bom se sentir entre os mais raros (apenas 1% da população). Mas a minha dádiva, às vezes, é minha maldição. Não reclamo, ao contrário, abraço-a como uma criança abraça seu pai quando chega de uma longa viagem. Amo-me a mim e a minha mente. Somos amigos íntimos. Por causa disso, vivo pensando, conjecturando, criando hipóteses, idéias, teorias sobre todas as coisas que vivo. Essa, que aqui escrevo, é apenas uma delas. É recém-nascida, talvez fruto de uma concepção gerada em mim a algum tempo, mas que eclodiu apenas ontem.
Fato que as leituras que ando fazendo me influenciam. Ainda bem, pois assim vejo que não estou morto, "Cogito ergo sum [penso, logo existo]já dizia Descartes.
Pois bem, o último livro que ando lendo é o polêmico "O Anticristo", que pra mim, nada soa com muita   novidade, pois o que Nietzsche critica basicamente em seu livro, é o que eu sempre critiquei, mas serve-me como base de argumentos futuros, o que aprendi em minha leitura.
Andei pensando sobre Deus. Sobre todos os possíveis deuses e, inclusive, o Deus que Nietzsche matou. Como sempre tento achar resposta pra tudo e um sentido que não exclua as idéias que me vem a mente, pensei em algo, que pra mim, é novo. É justamente sobre o pensar em Deus: a ideia de Deus.
Como minha formação sempre foi cristã, baseio-me na bíblia para argumentar e formar minhas idéias (sei que isso pode ser arbitrário e condicionar meu pensamento). Mas não leio e penso na bíblia como um manual. Antes de mais nada, tento ler e entender as passagens ali descritas, de uma forma filológica:  Analiso não só o contexto histórico-social da coisa, mas a psicologia de quem escreve. Isso, pra mim, revela coisas interessantíssimas que podem estar ocultas aos olhos dos leitores comuns. Como por exemplo, a história do Éden.
Toda a bíblia poderia perecer, exceto os capítulos iniciais de Gênesis, Eclesiastes e o sermão da montanha. Todo o resto pode ser enfeites de uma ideia central, contida, especificamente, nesses livros.
Essas foram as perguntas que me surgiram ontem: Por que está relatado (por Moisés) que Deus criou o homem a sua imagem? Por que, Deus tinha um relacionamento livre com o homem antes da "queda" que não pudesse tê-lo posteriormente, apenas perdoando o homem? Por que só um povo escolhido? Por que leis? Essas primeiras, tendo em vista apenas o gênesis. Agora, por que tudo é vaidade? Por que não há nada de novo debaixo do céu? Já afirmava Salomão. E agora, vem Jesus: Por que e para que o Reino está em nós, a partir da pessoa do Cristo? Por que o pecado não tem mais lugar em nossa vida, a partir do momento em que entendemos a boa nova? Por que Paulo quis reintroduzir na mente da igreja primitiva, o conceito de culpa e castigo?
Todas essas peguntas me tem assolado nos últimos meses. Ontem cheguei a um pensamento derradeiro, divisor de águas. E tudo se responde, se respondemos a essa ultima pergunta: Quem É Deus pra nós e como o conhecemos?

Tudo me remete ao Jardim. Ao começo de tudo. E, obviamente, não leio aquela fábula de forma literal (não descartando a possibilidade de ser, nunca!).

O Homem. Criado a imagem e semelhança do próprio Deus. Quem nos diz isso é Moisés, que não conheceu a Deus tal como Ele é. Ora, se ele não sabe como Ele é, como pode nos dizer que somos a imagem e semelhança dEle? Não me venham com a balela da "Inspiração Divina". Inspiração não é fato, é ideia, e como tal, pode ser questionada, assim como tudo o que existe. Uma resposta que encontro é essa: A ordem dos fatores está invertida, o que não altera o resultado, mas altera os "porquês". Imaginem um feto, sem consciência de si, apenas barro. Vem Deus e o gera, a partir de sua mãe. O que passa na cabeça desse novo ser? Será que passa o pensamento de quem ele é e para o que serve? Bem improvável. Assim o era, o homem, em um tempo não definido, talvez até mesmo fora do "tempo". Se relacionava de maneira franca e direta com Deus, que diga-se de passagem, não tem uma "forma". Ora, se a única coisa que o homem, já com consciência de si, sabia que era existente e que pensava era ele próprio, qual a única forma de pensar Deus que ele tinha? Isso, ele mesmo. Ou seja, Deus vinha ao paraíso em "forma humana" ou melhor, em "contato direto" para se relacionar com o homem. A chave da questão é essa: relacionamento. Contrariando toda a idéia de um "Deus Todo-poderoso que não abre mão de seu poder", Deus se relacionava com o homem de forma direta, de acordo com a mente desse homem. Era um relacionamento de puro amor, de homem para Deus, na forma de homem-para-homem. "Não é bom que o homem viva só" já decretava Deus, o destino do homem: a partir de um relacionamento real homem-homem viria a "descobrir" a moral. Com a convivência, o homem evolui e passa a ter um "pré-pensamento". Nesse momento, o homem não tem "vergonha" de Deus, nem o vê como algo mal, está isento de vaidades. Mas o homem resolve descobrir o mal (e o bem). Daí a partir da convivência com o outro, no caso a mulher, o homem não descobre a moral, ele a CRIA. O Homem cria o bem e o mal, ou pelo menos a consciência dele. A partir desse momento, vê que existe, ou pode existir, vida lá fora. E assim, reinventa a ideia de Deus. O Homem a partir de então, vê Deus como seu carrasco, se vê como fruto de uma experiência e tem medo. Vergonha é a palavra usada pra caracterizar o que se sucedeu em seu coração, mas pode-se entender como medo. Medo de Deus. Nesse mesmo momento, ele também cria junto a ideia de mal, o adversário, que nada mais é, que um estado de sua consciência, voltado para a parte "má" de sua moral.
Não descarto a existência dos dois, Deus e Diabo. Apenas digo sobre a ideia acerca deles que o homem constrói em sua mente.
Como Deus se relaciona com o homem, a partir da visão deste, Deus agora, de fato, se torna seu carrasco, e a consciência má da moral, sua acusadora. Daí o homem sempre tentando fugir dessa consciência e demonizando-a, para não se sentir culpado diante de seu Juiz. A partir dessa ideia, explica-se todo o conceito judaico-cristão acerca de Deus e, não exclui as outras culturas (de certa forma, um "fator Melquisedeque").
E assim, o homem se relacionou com seu Deus, criado (não literalmente, mas na ideia) a sua imagem e semelhança.
Acerca disso, Moisés registrou, não os fatos, mas os conceitos. E essa história parece-me se repetir em cada novo homem que nasce. Daí a ideia de que "todos pecaram", porque todos adquirem essa consciência de Deus a partir do meio em que vive.

Cristo. Novidade, Evangelho. Ensinou que o "Reino está em nós" ou seja, que a ideia de Deus, quem constrói somos nós. Não existe, literalmente, pecado. Pelo menos não para os que adquiriram a consciência de Cristo. Por que? Muito simples, porque entendemos que a moral é fruto da suposta "sabedoria humana". Porque o mal é, de fato, inventado pelo homem e, a partir daí não mais fazemos o mal, porque sabemos que nós o inventamos. Para essa "nova criatura" não existe culpa, antes, foi remido em sua consciência, pela vida e ensinamentos de Cristo. A Grande questão não está na morte desse, e sim na vida. Um evangelho que valoriza mais a morte que a vida, não é evangelho. Infelizmente poucos o entenderam, e ainda sim, deturparam sua mensagem, criando regras e "doutrinas" para uma vida de sacrilégios e uma suposta "santidade".
Com Cristo, voltamos a "inocência" se é que podemos chamá-la assim, do relacionamento que o homem tinha com Deus. Este agora abita através de seu Espírito, em nós, no próprio homem, não sendo mais necessário, um relacionamento inventado, ou face-a-face. Basta apenas olharmos para nós mesmos. Posteriormente, esse relacionamento interiorizador, se reflete no relacionamento homem-homem, que agora, é movido pelo amor, e não pela culpa. É a ideia por trás dos únicos dois "mandamentos" deixados por Cristo: 1. Amarás a teu Deus sobre todas as coisas e 2. Semelhante a este, amarás a teu próximo como a ti mesmo (porque ele também "carrega" Deus dentro de si).

O que a igreja fez? deturpou Cristo. Inventou um "Salvador", "Redentor", "Segunda pessoa da trindade". Quando ela fez isso? Com os primeiros apóstolos, que não entenderam a mensagem de Cristo, antes preferiram a mensagem martirizadora da cruz à vida esclarecedora do Cristo. Voltou-se ao tempo ANTES de Cristo, logo APÓS sua morte.

Em outras culturas e religiões, se vê uma consciência, de certa forma, parecida, principalmente no Budismo, que diga-se de passagem, é mil vezes mais realista e sincero que o nosso atual cristianismo e por que não dizer, mais evoluído.

A Vaidade do homem encarcerou novamente o espírito livre e multiforme de Deus. A isso, denominamos "Graça". E a fé, que originalmente seria essa consciência livre de convicções, passou a ser o instrumento humano de escravização divina. Junta-se a esperança do nada com o amor a coisa nenhuma, e temos, novamente, uma religião pagã, fundada pelos "seguidores" de Cristo.

Não afirmo nada disso que escrevi como verdade absoluta, pois se assim o fizesse, estaria criando outra religião. Apenas quero transmitir ideias, que felizmente, é a única forma de pensar que não pode ser provada, pois é apenas ideia.




nEle, que supera toda a ideia que possamos ter acerca dEle próprio.

Lucas Vizani.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um pouco de Pensamento Científico


DEUS TEM RAIVA DE QUEM GOSTA DE SABER?


Hoje escrevi que as Religiões de Deuses pessoais tendem a se tornar fundamentalistas e anti-cientificas; e que, além disso, a visão em um Deus pessoal e Redentorista, tornava a pregação de Salvação por Dogma, um poder inevitavelmente obscurantista e anti-cientifico em tudo; tanto mais quanto "santificado do mundo" seja o grupo em tudo; inclusive na indisposição de aprender qualquer coisa fora da "Escola Bíblica Dominical". Rsrsrs.

O fenômeno entre os Islâmicos é diferente na viagem que os levou até onde estão em termos de luta contra o saber cientifico, em face do fundamentalismo, mas o resultado é muito semelhante ao que acontece à "igreja" e aos "cristãos" de hoje em relação ao mesmo tema. Por outro lado disse que desde o início do Século XX, tanto os Budistas, quanto os Taoistas e os Hindus em geral, do ponto de vista religioso, têm feito grandes avanços no dialogo tranquilo com o mundo cientifico, em razão de muitas coisas, porém, também muito em razão da Impessoalidade da Idéia de Deus que possuem.

Ora, isto dá a eles sistemas de crenças sem Dogmas de fé anti-cientificos, e, assim, por conseqüência, abertos ao saber sem culpa e sem medo de qualquer que seja ou fosse o ciúme de Deus; posto que Deus, para eles, por definição, não seja ciumento, visto que muitas vezes nem mesmo Pessoal seja.

Alguém pergunta:

Então, o fato de Deus dizer "Eu Sou" é incompatível com uma mente aberta?

Creio que você saiba que direi que é Óbvio Que Não. Na realidade a questão nada tem a ver com o Deus Pessoal; ou seja: com o Deus que diz "Eu Sou"; mas sim com a "idéia acerca do Deus pessoal"; e, além disso, depende também da idéia que se tenha de "pessoalidade em Deus".

Ora, de fato, "o Deus Pessoal" dos cristãos, não passa de um "Deus Passional", não Pessoal.

Ele não é amor, Ele é ciúme!

Além disso, "o Deus Pessoal" dos cristãos é feito à "imagem e semelhança" dos "cristãos" ou da "igreja".

O "Deus Pessoal" dos cristãos é passional, ciumento, mesquinho, invejoso, preconceituoso, inimigo de toda inteligência, de toda alegria de descobrir, de toda vontade de entender, de todo milagre passível de explicação, de todo saber que cure hoje aquilo que um dia se dizia que "somente Deus" curava.

O "Deus Pessoal" dos cristãos é como um grileiro de terras ou é como um Latifundiário que não usa a terra e tem raiva de quem deseje conhece-la ou tratar bem dela.

Assim, "o Deus Pessoal" dos cristãos não é uma Pessoa, é um Espasmo Passional e Todo Caprichosamente Poderoso.

De modo que "o Deus Pessoal" dos cristãos não está aberto a mais nada além do que os Teólogos de algum tempo Constantiniano tenham dito sobre "Deus", sobre a "Natureza" e sobre o "Universo".

Portanto, "o Deus Pessoal" dos cristãos teria fechado não apenas o "Cânon Sagrado", mas também o "Cânon Cientifico"; ou seja: o Cânon Natural.

Entretanto, isto nada tem a ver com a Pessoa de Deus, que, vai muito bem, obrigado. Graças a Jesus!

A Pessoalidade em Deus é como a pessoalidade em Jesus; ou seja: sempre dizendo até do desejo de executá-Lo: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!"

Assim, o Deus Pessoa, que é amor, sendo Ele como Jesus disse que Ele era; ou seja: a cara de Jesus — quando vê disparates na Ciência dos Homens, diz: "Eu perdôo a todos vocês, porque vocês ainda não sabem o que dizem saber".

O que diria Deus?...

Muitas vezes, ao ver um Centurião Cientista [um "Cienturiontista"] descobrir, pela perseverança, e, muitas vezes, pela experiência da intuição projetada [como Einstein chamava ao que a ele acontecia, mas que, em termos bíblicos, chamaríamos de revelação, conforme a medida da hora do saber] — algo lindo de Sua criação, creio que Deus em Cristo diga: "Nunca vi entre os que dizem que 'Eu Sou'..., uma disposição de buscar a verdade como esta".

Se não fossemos apenas gente programada pelo pânico instaurado pela religião dos Deuses passionais, o que teríamos era que os seres com maior motivação para amar a Deus também com a mente, seriam os que dizem que "os céus proclamam a glória de Deus"; e mais: que dizem que "o que de Deus se pode conhecer, está por Ele mesmo manifestado por meio das coisas criadas".

Do mesmo modo, ninguém defenderia mais a criação do que os que dizem que o Criador é Amor; e que hoje também dizem que, pela miséria humana, a Criação geme a uma, esperando chegar o Dia da nossa e da redenção também dela.

Mas... é o Dalai Lama, que disse que o Budismo está aberto para aprender com toda ciência que se comprove verdadeira, o líder religioso que hoje mais trabalha junto aos neurocientistas, em profundas pesquisas entre os conceitos budistas de expansão da mente e as novas descobertas acerca da maleabilidade do cérebro, sendo alterável pela disciplina dos estímulos de bons pensamentos.

Os cristãos achariam que estariam pecando contra Deus por tão somente estarem desejosos de trocar experiências e considerar observações que podem ser úteis a muitas percepções da própria interpretação bíblica e na compreensão desta existência.

Este tempo é, por exemplo, fascinante para um cristão que, estudando Física Quântica, saiba ver o quão quase dentro do ambiente da dimensão espiritual ela projeta a mente em sua melhor chance de discernir o fenômeno das coisas invisíveis do ponto de vista de uma observação de natureza experimental e impírica.

Mais que isto:

As descobertas da Física Quântica mostram como se tornaram tolas as questões sobre Predestinação ou Onisciência de Deus.

A própria noção de tempo/espaço e Singularidade com sendo o Indiscernível — não estão disponíveis como verificação observável fora do ambiente da Ciência Física.

E mais: tais conceitos são tão mais compreensíveis nas suas explicações, bem mais próximas do real sentido bíblico de eternidade [ou: do que “é”], do que a teologia jamais conseguiu propor.

Digo isto por as pessoas ainda pensam em tempo e espaço e eternidade com as categorias do velho mundo grego e linear.

Portanto, melhor do que uma tola aula sobre Predestinação Linear de Deus no Tempo/Espaço, ou em uma Eternidade também Linear, é uma boa aula sobre Tempo, Não-Tempo e sobre a possibilidade da existência de múltiplas camadas dimensionais na existência, com a chance de que o que chamamos de mundo invisível seja apenas o que os Físicos começam a chamar de Universos Paralelos.

E, assim, em uma quantidade absurda de campos de saber e de entendimento, abrem-se avenidas devocionais para quem pode descobrir sem arrogância, mas apenas com adoração; o que pode ser o caminho de todo aquele que ao descobrir não pense que suscitou raiva em Deus.

Afinal, a denuncia bíblica não é contra o saber, mas sim acerca do saber sem amor, sem adoração e sem alegria grata na descoberta.

Mas que homem de ciência descobrirá com amor, adoração e alegria na descoberta se, para ele, o Criador está com raiva, inveja e ciúme?

Por hoje eu fico por aqui.



Caio Fábio, em: 
http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=04422

terça-feira, 3 de julho de 2012

As pedras clamariam

Tentarei com esse post apresentar uma visão sobre essa profecia de Jesus. Uma possível interpretação a qual cheguei nessas últimas semanas e que se encaixa no mundo atual e na forma como vivemos. Interpretação essa, baseada em conclusões que li em um livro de Liev Tolstói, "O Reino de Deus está em vós". Me basearei muito nesse livro para escrever aqui nesse blog.


"Alguns dos fariseus que estavam no meio da multidão disseram a Jesus: "Mestre, repreende os teus discípulos!
"Eu lhes digo", respondeu ele, "se eles se calarem, as pedras clamarão". Lc 19:39,40

Alguns dizem que hoje em dia as pedras estão clamando. Homens que nunca ouviram sobre o Reino, nem conhecem a doutrina de Cristo, clamam por justiça e paz. Chamam-os de "pedras", pois seus corações (não cristãos) são como pedra, e mesmo assim, até eles clamam pelo Reino!
Já ouvi e até compartilhei deste mesmo pensamento, mas ultimamente tenho visto de uma forma um pouco diferente essa tão profunda profecia dita por Cristo.
Para compreendermos o que o Mestre quis dizer, temos que entender o que se passou na humanidade depois de Sua obra ter sido consumada. Muitos pensam que a obra de Cristo só passa a valer e a ter sentido na práxis humana, a partir do momento em que "aceitamos" a Ele. Mentira. O sacrifício de Cristo foi, e continua sendo, muito mais abrangente do que isso. Suas consequências não se restringem a vida de uma pessoa que se diz Cristã. Sua vida e morte trouxe, muito além do que imaginamos, uma nova forma de encarar a vida para toda a humanidade.
Para chegarmos a essa conclusão, basta olharmos para a história humana desde o seu primórdio e compararmos a mentalidade de cada época vivida pelos homens.
Segundo Tolstói, a história da humanidade pode ser comparada a história de um indivíduo. Uma pessoa passa por várias épocas da vida, infância, juventude, velhice... Assim o é também com a humanidade.
Podemos classificar e entender a primeira época da vida humana, como sendo uma vida primitiva, individualista. Nessa época, o homem vivia apenas para si mesmo, sua felicidade se baseava em satisfazer seus desejos. É a primeira forma de encarar a vida que o homem descobriu.
Após essa época, teve início a segunda fase, a da comunhão. Nessa fase, o homem descobre que não basta apenas viver para si mesmo, mas para o próximo também. A sua felicidade consiste em abrir mão de seus desejos para se ter o bem comum entre os seus. Sendo assim, primeiro o homem define sua família, depois seu clã, sua tribo, sua cidade e por fim, o Estado. A cada novo passo que o homem deu, foi ficando mais difícil de abrir mão do passo anterior. Podemos ver isso na prática: É muito mais fácil um homem abrir mão de seus desejos pela sua família do que pela sua cidade, por exemplo. A cada novo estágio, é requerido mais esforço do homem para garantir sua felicidade. Essa foi a segunda época da vida humana.
Com Cristo, deu-se início a uma nova época, a época Cristã, e é nela que vivemos hoje em dia.
Com essas informações, podemos analisar o comportamento e a mente humana ao longo do tempo.
A cada nova transição de mentalidade, de uma época para outra, o homem sofre. Demora-se muitos séculos para que a nova concepção de vida possa ser assimilada por nós. O homem primitivo não queria abrir mão de si próprio pelo outro mas, ao mesmo tempo, sua consciência, a partir do momento em que atravessou de uma fase a outra, clamava por isso. A partir daí, ele vivia em um constante paradoxo, e isso o fazia sofrer.
Com o crescimento da organização social dos homens, foi sendo necessário criar artifícios que ajudassem e forçassem os homens a aceitar o novo conceito de vida. O maior desses artifícios foi a religião. Criada para explicar o inexplicável e mistificar um fenômeno natural, a religião foi responsável por elevar o pensamento humano na antiguidade e foi necessária naquela época, pois o novo conceito social de vida pedia que assim fosse.
Cristo nasceu. Com a promessa de uma renovação de vida e da instituição do verdadeiro Reino de Deus, Ele veio à Terra. Deu-se início a nova fase do conceito de vida humano o conceito Cristão. Nesse conceito, mais elevado que todos os seus predecessores, a vida humana não mais deve obedecer aos instintos e desejos, nem mais a família, nem ao clã e nem ao Estado, a Lei única que rege a vida do Cristão, é a Lei de Deus, explicada por Jesus como sendo a Lei do Amor (porque Deus É Amor).
"Amarás a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo". Essa é a síntese da Lei do Amor. Contra ela, não existe lei humana que possa se sobrepor ou superar. A partir daí, o homem não vive mais para si mesmo nem para suas organizações sociais, ele vive para Deus e para o Amor. Amor esse, que supera todas as coisas. Esse novo conceito foi impresso no coração e na mente da humanidade por Cristo, e nós, todos nós, clamamos por isso.Mas como disse antes, passar de uma fase a outra, é sofrimento e demorado. A religião que antes era necessária para a humanidade, não mais o é, porque Cristo nos deu sua Lei, e é por ela que devemos viver, e não pelas leis de um clero, ou grupo de pessoas que se autodenominam "enviados de Deus". Ele próprio nos deu sua Palavra.
Logo após a ressurreição de Cristo, os seus discípulos entenderam que se fazia necessário, atravessar essa nova fase. E para isso, Ele os disse: "Pregai o Evangelho (que significa: Boas Novas, ou Novidade) a toda criatura!" E isso foi feito.
Até determinado momento, o Reino estava sendo pregado, apesar das desavenças surgidas já na igreja primitiva. Mas os homens que não desejavam abraçar e a viver o novo conceito de vida, transformaram a obra dos primeiros Cristãos, em uma religião. Passaram a chamá-la Cristianismo e a confiná-la em um nome exportado dos próprios escritos de Lucas em Atos: Igreja.
Tentamos pegar o Evangelho, novidade de vida, e trazê-lo para o conceito antigo de vida. Teria sido um sucesso, se não fosse o que Cristo disse: "se eles se calarem, as pedras clamarão". A nova/antiga Igreja, já não era mais Cristã. Ela voltou-se aos princípios pagãos, anteriores a Cristo. Mas os verdadeiros cristãos, aqueles que entenderam a obra de Cristo, não se calaram e continuaram a proclamar o Reino. Esses foram chamados de Hereges e sofreram o martírio, tanto por parte da igreja católica quanto pela protestante e pela ortodoxa. Mas nunca fez-se necessário que pedras clamassem. A própria consciência humana clama. E hoje, nós vivemos no mesmo paradoxo que vivia o homem antigo: Sabemos o que é certo, mas fazemos o errado.
Sabemos que a Paz é a solução e que a guerra só gera guerra. Mas continuamos a fazer Guerra em noma da Paz. Sabemos que para nós, não há Lei, senão a Lei do Amor, e continuamos a obedecer o Estado (Suportado pelas Igrejas / Religiões) que só nos escraviza. Nossa alma (a de toda a humanidade) clama pelo Evangelho, e não as pedras.
Mas os homens que não conhecem ao verdadeiro Cristo, continuam buscando a solução desse paradoxo em outros lugares. Sabem que a atual ordem das coisas não leva em nada, e estão procurando elevar ainda mais o conceito social de vida, afim de que cessem as guerras e cheguemos a paz. Querem elevar o conceito de obediência ao Estado, a obediência à humanidade. Um governo soberano e humano que a todos governe. E isso foi profetizado várias vezes, principalmente em Apocalipse e vemos se cumprir em nossos dias. Esse governo, será suportado pelas igrejas e religiões. Eis a Prostituta do Apocalipse. Mas a noiva, a verdadeira, nunca será manchada.
Nós, conhecedores da Verdade, sabemos que nada adianta elevar o conceito social, porque as coisas velhas já passaram e eis que TUDO se fez novo.
Que possamos proclamar o Reino e o Evangelho de Cristo. Nós temos a solução para o paradoxo da consciência humana. E que Deus seja conosco.

Em Cristo,

Lucas.